relatos
Andes
expedition 99
(por Thomas Milko)
Parte
1 - Asfalto e muitos CD´s
Viagem
São Paulo – San Martin de Los Andes
A viagem para San Martin de Los Andes de automóvel e carreta durou
apenas 3 ½ dias. Saímos de Jundiaí a tarde, chegando
em Campo Mourão as 11:00 da noite, mal sabia que isso iria se tornar
rotina durante nossa viagem rodoviária de quase 8.000km. Fomos muito
bem recebidos pelo ilustre Presidente do Aeroclube de
Campo
Mourão, que foi equipe do TM no campeonato Sul Americano em Concepcion
del Uruguay. Já sabendo da "pauleira" deste tipo de viagem, nos
deixou dormir após 1h de bate papo. Rodamos cerca de 700km neste
dia, apenas esquentando...
No
dia seguinte fizemos C.Mourão – Zárate, com certeza o maior
percurso rodoviário em um só dia, movido ao alucinógeno
aerococus andinus. Aduana nos liberou rapidamente, mas o bloqueio policial
alguns quilometros adiante não foi tão rápido. Quando
fomos novamente parados, todos na estrada são, fiquei preocupado
em ficar parado muito tempo, e tive a infeliz idéia de falar.
- Sr. temos ainda 12 horas para dirigir hoje será que vai demorar
muito ?
-
Senõr , comecei a trabalhar faz 30 minutos, tengo 12hs para inspecionar
su vehículo.
Ficamos 30min parados, cutucaram a pickup inteira, abriram o porta malas,
carreta e outros. Somente compreendi quando um cão Labrador começou
a farejar, procurando algo mais que nossos damascos secos dentro da geladeira.
Superado este detalhe, fomos várias vezes barrados pela Policia
Caminera que descaradamente sempre pedia uns trocados. Na ultima viagem
que fiz em Janeiro para Argentina, tivemos um tratamento totalmente diferente.
Nossa caixa de BIS salvou, a cada "pedido", soltávamos 4 barrinhas
de chocolate, somente faltou pedir patrocínio da Lacta.
Vale salientar que após Posadas, onde pegamos uns chuviscos, o tempo
ficou bom, ajudando a manter os 110km/h. Vale salientar que as estradas
nesta região com exceção de Foz de Iguaçu e
imediações, são retas e bem pavimentadas possibilitando
uma boa média. Passando por Gualeguaychú, fomos parados novamente,
as 11 e pouco da noite, e novamente achacados, desta vez tive que soltar
US$, porque iria levar muito tempo e o BIS já havia perdido a magia.
Talvez algum brasileiro oferecera uma caixa inteira em vez de alguns míseros
pedaços. Cruzamos o complexo de pontes sobre a bacia do Prata bem
tarde, sem o nevoeiro comum na região.
Após algumas voltas, chegamos no Aeroclube de Planadores de Zárate
as 1:30 da manhã. O comitê de recepção formado
por um grupo de cachorros bem barulhento mostrou que não havia viva
alma no pedaço. Por sorte, alguém esquecera destrancada a
porta do alojamento, e nós caímos na cama rapidamente. Apesar
de termos apenas pernoitado neste clube, deu para perceber que se trata
de um local grande, pista de grama bem larga, muitas árvores na
área de camping, amplo alojamento e vários chalés
espalhados. É verdade que a grama um pouco alta em alguns locais
e algumas carcaças de carreta denegriram um pouco o local.
Partimos as 9 da manhã com destino inicial Santa Rosa, o trecho
Zárate até pegar a rodovia para Santa Rosa, uns 40km, tem
um acesso complicado com péssimo asfalto além de transito
pesado, levamos mais de 1 hora para percorrer este trecho. Quando chegamos
no início da Ruta Nacional para Santa Rosa, tomamos um bom café
da manhã com um delicioso submarino (leite quente com barras de
chocolate, o Todinho Argentino). Neste local tentei novamente falar com
o Maurício em San Martin sobre a licensa de vôo, um capítulo
a parte, obviamente me deixaram pendurado acabando o cartão de telefone.
O trecho na província de Buenos Aires foi muito bom, apesar do transito
um pouco mais carregado que na parte mesopotâmica (o territorio Argentino
espremido entre Brasil/Uruguai e Paraguai). Chegamos rapidamente em Santa
Rosa, após 9h de rodovia. O aeroclube ao lado da rodovia convidou-nos
a uma rápida parada. La ocorria um regional, e pude encontrar alguns
pilotos que participaram do Sul Americano. Após rápidas dicas
de qual caminho tomar, voltamos a estrada para atravessar o primeiro deserto.
Camino el Conquistador do Deserto vamos nós .Novamente rodando bem,
paramos no último posto antes do deserto mesmo, aliás vira
uma pista alagada ao lado do posto, segundo os locais com muito pouco uso.
Comecei a sentir o carro puxando um pouco mais, logo desconfiei do motor,
acelerei mais. Na ultima viagem, a gasolina fajuta que usamos uma vez quase
fez a minha Suprema ficar na estrada, nada mais intuitivo desta vez .
Quando Gustavo olhou para trás viu pedaços voando pela estrada.
O pneu direito da carreta havia ido embora, já estava com a roda
da carreta quase no asfalto. Tudo isso aconteceu a 120km/h, sem nenhuma
instabilidade da carreta (que pesa 1200kg), fiquei feliz de estar com a
D20 de 4 toneladas. Tentamos comprar um outro estepe, mas na vilazinha
nada mais havia que um borracheiro sem nada para vender. Tivemos a sorte
de tudo isso acontecer no por do sol, portanto ainda com luz. Iniciando
pela Patagonia, cessaram de vez os povoados, somente a cada 100/200km algum
vilarejo e um posto de gasolina. Na entrada da proxima província,
Rio Negro se não me engano, tivemos que passar por uma barreira
de sanitização, um spray por baixo do carro e carreta seja
lá qual for o objetivo, além de arrecadar alguns pesos a
mais dos vuiajantes. Monumentos ao lado da estrada, durante todo o percurso
alertam sobre o perigo da estrada, totalmente monótona. Carcaças
de carros acidentados com olho de gato e tudo mais, com placas ao lado
dizendo para não dirigir com sono, etc....
Esgotados, chegamos a Neuquen beirando as 12 da noite, como não
nos deixaram entrar no aeroporto para dormir no aeroclube local, fomos
ao hotel do lado do Aeroporto.
Neuquén
- San Martin é um trecho bem diferente, com deserto desta vez bem
seco mesmo, os outros eram desertos pela falta de gente principalmente.
Paisagem extremamente interessante, com um desvio grande, nos aproximando
a Bariloche, e em seguida virando para o norte, graças a pré
cordilheira que impede o acesso direto. Chegamos em Chapelco, o aeroporto,
as 5 da tarde totalmente destroçados, realmente passar quase 4 dias
no carro dirigindo de sol a sol é bem mais extenuante que um vôo
de 7h no KW-1 .
Gasolina
acima de US$1,00 e o Diesel a US$0,60 impossibilitam a viagem de automovel,
na Argentina até Gol roda a Diesel ou gás natural, que pode
ser encontrado na maioria dos postos que parei. Por outro lado o pedágio
acabou ficando mais barato que no Brasil.
Finalmente
a chegada !!!
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