Relatos:  Jaciara - 08/2001

Thomas Milkó

 

Notícias de um mundo diferente: Jaciara - Mato Grosso

Aqui tudo ótimo consegui finalmente acessar a net, hoje 2-08-2001, foi
novamente chocante, com fotos da Chapada dos Guimarães, fiquei mais baixo que a chapada, dei rasante no hotel (na beira do penhasco), fiquei a 200m de altura, a chapada fica a 500m, mas subi bem depois. Vi montanhas e mesetas mais bonitas que nos EUA a região e linda mas pouco explorada turisticamente.
Cada cor sensacional, passei por uma hidrelétrica, Manso, e bati varias fotos. Aqui tem pista por todos os lados somente 5% são oficiais, o resto não esta no Rotaer mas existe, segurança total no vôo.
37 graus em Cuiabá (ponto de orvalho 13 graus), 20 graus a 2400m a bordo do planador. O dia é curto, mas ontem decolei as 11:30 e engatei uma térmica com picos de 4.4m/s integrando sempre acima de 3,7m/s , sem lastro. Fiz quase 500km, enrolando (esperei o Falk do Luis subir também, abri freio, etc etc). Apesar de estar praticamente azul, como Brasília, com alguns fiapos aqui e ali, acredito que dê para voar 600km ou quem sabe um pouco mais. A região tem lados muito bem apoiados, e regiões onde você tem que ficar alto para atingir a chapada, como em Formosa.

Jaciara tem um clube de planadores com 1 nhapecan, 1 KW zerado e Aero Boero 180 que esta rebocando o Peter Volf. O clube é tocado por Gaúchos, inclusive o rebocador voou bastante de planador no Sul. Pista é comprida, de cascalho, somente um pouco difícil para o Nimbus 4, mas classe std decola tranqüilo, fora à poeira terrível.
A regiao tem potencial, melhor que Brasilia, porem não pode pousar fora em reserva indígena .... como fiz uma vez no sul de quero quero.

03-08 – JACIARA – SINOP

Decidi ir para Sinop, cidade a 480km ao Norte de Jaciara.  Fiquei animado de ver um pouco da floresta Amazônica,e ao mesmo tempo apreensivo, existem térmicas em cima da floresta ?  Afinal a teoria nos diz que toda umidade da floresta absorve o calor do sol.  Depois de colocar no “enorme” porta mala do DG uma escova de dente, camiseta, carteira e estacas, aproveitei para colocar uma gasolina extra nas asas, uns 15 litros a mais.   Como estava atrasado, resolvi não lastrear o planador, uma pena já que as condições estavam muito fortes. 

Condições fortes, novamente integrando de 3 a 4m/s, o Record do vôo foi uma fogueira, nem tão grande, que integrou 7m/s !  Pelo menos alguém se aproveita destas malditas queimadas.  Saindo de Jaciara, para o Norte, um pouco de quebradeira, mas com pistas a cada 20-30km, aliás a quantidade de pistas aqui é impressionante, todas pequenas cidades e grandes plantações têm sua pista.  O Rotaer não deve ter nem 10% das pistas existentes.   Fiquei todo feliz em conseguir cartas CNAM 1:500.000 em Cuiabá, porém os mapas estão totalmente desatualizados, apenas servem para ver o relevo.  O mapa que estou usando foi comprado na rua, “Geopolítico” do Mato Grosso, escala 1:75.000, como é um estado com enorme crescimento este é o mais fiel. 

O difícil foi conciliar as 3 CNAMs, esta enorme carta 1:500.000 (de uso reservado, não sei porquê) e minha câmera fotográfica Canon, e ainda pilotar o planador.  No primeiro G negativo forte, tudo voou para o Canopy, que felizmente é forte.  Mas me acostumei voar olhando separadamente a carta de relevo e a política, afinal o GPS também ajuda, mas eu gosto de identificar onde estou.  Cruzei algumas serras, com visual muito bonito, e enormes fazendas, muito algodão que parece ser a plantação do momento, também um pouco de cana e soja.   As propriedades são gigantescas, e acabam formando um mosaico muito bonito, diferente daquele visto em SP com a terra mais avermelhada.  Cada vez mais ao norte aumenta a proporção de floresta, aumentando aos poucos.  Fiquei imaginando como deve ser a floresta pura, sem plantações e devastação ao redor.  Aliás vi muita devastação, floresta queimada para dar lugar a agricultura, apesar do IBAMA dar autorização para cortes, dá pra ver o abuso feito contra a floresta.  Sempre geometricamente cortados, imensas manchas negras, não vai bem.  Vi também rios grandes, com muita mata em volta, deu vontade de ir ver o parque do alto Xingu, mas estava meio longe.

Uns 100km ao sul de Sinop,  o tempo ficou mais úmido com mais nuvens, até então apenas nuvens ralas tipo Brasilia, base 2.400m.  Com mais estratificação fui novamente até a base, e entrei no planeio final.  Chegando na cidade, procurei a pista, que fica um pouco longe, de asfalto com 1.800m de comprimento !  Até radar têm, ligado ao SIVAM.  Tinha o pessoal da FEMA (Fundação Estadual do Meio Ambiente) com um helicóptero caçando queimadas, mas claramente estão perdendo a luta, pelo menos foi a impressão que ficou.  

Muitas fotos, florestas, desmatamentos, serras com formações rochosas diferentes, enfim, foi um vôo diferente que deu para vibrar bastante.  Importante dizer que a maior “banana” foi a 1.000m, o vôo transcorreu na maior parte do tempo entre 1500 e 2.200m, sobe o tempo todo.  Na maior parte do caminho enormes arados, nas partes com serras eu sempre estava no planeio de um arado ou até mesmo de uma  pista, normalmente sempre tem uma em grandes plantações.  Contrariamente ao que pensava, dá pra voar por aqui ficando bem apoiado, com planadores da performance do Jantar para melhor.  Talvez equivalente aos vôos em Formosa (GO).

4-8 SINOP – CUIABÁ - JACIARA

 O dia prometia, com alto cumulus ao amanhecer, tive impressão que finalmente havia um pouco mais de umidade no ar, para ajudar a balizar as térmicas.  No aeroporto de Sinop um vento forte, mas estava tranqüilo, pois havia chegado cedo.   Deixei o planador amarrado, para não ficar com as asas batendo.  O tempo passando  e o vento exatamente a 90 graus com a pista de 30 x 1800.  O sofrível pouso de um corisco me deixou ainda mais apreensivo. Observei atentamente o grande páteo de manobras, andando, medi 250m da lateral da pista até o final do páteo de manobras.  Após hesitar por um bom tempo, um pouco antes do meio dia, resolvi empurrar o planador para a pista.  Vento continuava forte, aproximadamente 40-45km/h.   Alinhei o DG atravessado na pista principal e, preocupado com os postes de luz no final da minha improvisada linha de decolagem.  Dei full power, em menos de 150m estava voando, passei sem problemas por cima dos postes com certa folga.   Confesso que olhando agora para trás, foi uma decisão arriscada, mas que funcionou bem.  Os motoplanadores com motor escamoteável são muito propensos  a encarar o vento, mais do que os planadores rebocados, que tem a vantagem de ter uma corda ajudando a endireitar o planador.  Aqui ficou uma lição, quando tiver opções de pistas de pouso, tentarei usar o aeródromo que tiver melhor alinhamento com o vento, aqui no Mato Grosso isso é fácil.

A primeira térmica de 3m/s mostrou que o dia seria mais um clássico Mato Grossense.  Em seguida peguei sequência de térmicas perto de 4m/s, com algumas de 4,5 a 5m/s, voando em cima dos enormes arados e plantações tudo funcionou muito bem.  Mesmo em cima das áreas de floresta Amazônica, tudo estava subindo bem.  Componente de vento de cauda ajudou um pouco para aumentar a média de velocidade, estava voando com rumo sul, e o vento aqui soprando de NE / E com 25km/h em média.  

Se fosse direto para Jaciara chegaria cedo demais, decidi no meio do vôo ir para Cuiabá.  Na entrada da TMA Cuiabá, chamei o controle com a mensagem “Planador PP-XEZ de Sinop para Jaciara com sobrevôo na vertical de Cuiabá” ele perguntou quais eram minhas intenções, já que do Norte não há necessidade de sobrevoar Cuiabá para chegar em Jaciara (quem disse que faz algum sentido voar de planador ??).  Fui claro, estava tentando fazer distância, e sem maiores firulas o controlador deu o Ok, forneceu um código transponder e apenas solicitou para que eu reportasse a vertical do Aeroporto.  Próximo à cidade de Cuiabá, uns 60km fora, muita fumaça das queimadas perto da Chapada dos Guimarães.  Cheguei no centro da capital do MT a 800m, banana do dia, mas no meio dos prédios comecei a subir e quase na vertical do aeroporto voltei para a base das nuvens.

Novamente ainda estava adiantado, para ir direto à Jaciara (15:00), fui para a pequena pista da Chapada dos Guimarães, já no platô, pequenas nuvens ajudavam a balizar o caminho para casa.  A 80km fora com 2.100m , anel de McReady bem conservador iniciei o planeio final, que sustentou bem no caminho. 

A prefeitura municipal resolveu utilizar parte da lateral do terreno do aeródromo local para fazer uma pista de rali de jipes.  Uma retroescavadeira ficou durante 1 semana construindo morros e buracos para os jipeiros.  Junto com rafting, rapel este evento fez parte da semana dos esportes radicais em Jaciara, apesar do Peter Volf protestar veementemente em entrevista com a TV de que o planador é  muito mais radical, principalmente com pouso fora no meio da selva com resgate de 2 dias.  Ao redor da pista centenas de pessoas, provavelmente grande parte da população da cidade, amontoavam-se para ver os veículos sujos de lama fazendo suas peripécias, aproveitei para fazer as devidas reversões e rasantes.  Estava muito contente de ter feito este vôo de quase 600 km em pleno inverno.  Pena que estava sem lastro, já que o vôo poderia ter sido mais veloz e com certeza mais longo.

5-8 JACIARA – JACIARA TENTATIVA DE 700KM

Decolei 10:45 cheio de água nas asas, com intenção de um ida e volta para Gaúcha do Norte, a 353km ao Norte.  A primeira térmica foi razoável com 2m/s ainda bem cedo, fiquei animado com a perspectiva de conseguir a distância.  A média de velocidade nas primeiras 2 horas de vôo estava muito baixa, ao redor de 90km/h, componente de vento de frente de 25km/h, mas ainda fui pressionando.  Próximo a serra azul e serra finca a faca, estava tudo muito azul, quebradeira embaixo, ou seja pastos e floresta, não estavam lá os grandes arados presentes mais no setor NW.  Com a média de velocidade se mantendo constante, não iria haver número de horas suficiente para conseguir percorrer os 700km, acabei virando para esquerda em direção de Sinop, e após uns 80km as condições melhoraram um pouco mas claramente o dia não estava tão forte como nos anteriores.

Foi um vôo bonito, como todos eles, mas sem maiores realizações, pousei no final da tarde muito cansado.  Havia ido dormir as 2 da manhã, após descer com um bote de borracha (rafting) um rio próximo a Jaciara, à meia noite com um frio de 14 graus.

 06-08 – JACIARA – PONTES E LACERDA

Os dias aqui no MT são bem constantes, ou seja, céu azul, calor e base a 2.200/2.400m.  A única variação é a ausência total de nuvens ou os pequenos fiapos.  Eu decidi explorar um pouco o lado W de Jaciara.  Com lastro, bagagem as 11 e pouco da manhã iniciei o vôo, aliás todo o dia decolava tarde demais, sempre engatando numa térmica de 2 a 3m/s sinal de que dava para decolar as 10:30 e pendurar. 

Passei por cima da Chapada dos Guimarães, como sempre muito bonita, para evitar a baixada de Cuiabá, e o aeroporto, chamo o controle que sempre surpreso com planador voando nesta região, faz todo tipo de perguntas.  Muitas queimadas nesta chapada proporcionavam ascensão de 6 a 7m/s .  Reporto para o APP Cuiabá a posição exata do fogo, já que parte dele fica em região de proteção ambiental.  A fumaça diminui a visibilidade e a possibilidade de boas fotos.  Passando pelo rio Cuiabá, no vale da cidade de Nobres começa a diminuir a civilização.  Ao contrário dos vôos que efetuei para o Norte (Sinop), a região quase não tem agricultura.  Gado, mineração e corte de árvores predominam na paisagem.  Fico a 700m de altura, no meio de 2 serras, com uma pista ruinzinha como apoio.  Sem alternativa e com um pouco de paciência aceito rodar 1m/s que vai aumentando para 2,5m/s acima dos 1.200m .   Característica peculiar dos vôos que efetuei, a térmica abaixo de 1.000m são difíceis para centrar e turbulentas, acima desta altura aumentam de intensidade e ficam fáceis de serem centradas.

O dia foi azul, com pouca ajuda de  fiapos, apenas alguns aqui e ali.  Inicialmente estava com a proa de Tangará da Serra, já que o plano era passar esta cidade e seguir para a Chapada dos Parecis, porém a velocidade média mais baixa e o azulão me fizerem mudar de idéia e tentar ir direto para o destino.  Pretendia pousar em Vila Bela, passando pela Chapada dos Parecis, 700km, mas não deu. 

A 250km do destino, a paisagem mudou significativamente, início de uma reserva indígena com muita floresta, tudo verde mesmo.  Pistas escassas, mas eu estava navegando entre 1500 e 2.400m com tempo não tão forte, térmicas de 2,5 a 3m/s lastreado.   Via fonia perguntei se alguém conhecia a pista de Vila Bela, informaram que além de não ser muito boa, não tem guarda campo.  Uma pena, já que eu queria sobrevoar um pedaço da Bolívia, próximo a Vila Bela...

Por isso optei fica em Pontes e Lacerda, 80km mais próximo.  Aliás o piloto que deu algumas informações conhece o pessoal de C. Mourão, ficou todo animado quando falei que era um planador, ele voou com o Deco em Jundiaí, e insistiu para que eu fosse a Sapezal e mostrar o planador. 

O difícil foi escolher em qual pista pousar, antes da cidade avistei uma excelente pista, a da cidade apesar dos 2 hangares parecia muito estranho, uma faixa vermelha, parecendo à continuação de uma rua atravessando a pista.  Um pouco mais adiante uma pista de terra com 2km e alguns hangares, resolvi pousar nesta pista.  Mas a 1.300m, 16:30 resolvi voar mais um pouco.  Fui explorar um cordão de montanhas, serra do Canto, muito interessante, tem uns 50km de comprimento, e parece construído pelo homem, bem linear deve ser excelente para voar onda.  Fiquei durante 30 minutos aproveitando o lift  gerado por esse relevo interessante, realmente muito bonita essa linha de montanhas, aproximadamente 250m de altura. 

Primeiro pouso full lastro, já que eu queria aproveitar  o vôo no dia seguinte, foi um pouco mais longo que o normal, sem problemas já que a pista de cascalho é muito boa.  Acertei o local para pernoite já que o guarda campo foi bem zeloso, trancando o portão de entrada do aeroporto, além de me ajudar a estaquear o DG.  Os filhos do dono de um Bonanza, fazenda de gado, deram carona para cidade, dizendo que o aniversário da cidade estava sendo comemorado, com toda pompa e fanfarra.  Com as costas totalmente travadas, tive que retornar para o aeroporto à noite para pegar os óculos e carteira, esquecidos, pela primeira vez usei a poderosa lanterna que sempre levei comigo sem saber porquê.

7- 8 – PONTES E LACERDA – LEVERGER (CUIABÁ) – DIA DO MOTOR

Depois de saber um pouco da historia de Vila Bela da Santíssima Trindade, a primeira capital do MT e o local onde se acessava os rios da Amazônia, ou seja a zona de transição entre o Pantanal e o Norte do Brasil, não resisti.  A pista de Lacerda é propriedade de alguns fazendeiros, que na pratica e a pista da cidade.  Com uma casinha do guarda campo, bar bem montado e abastecimento, é um local bem seguro e aconchegante. 

Decolei as 1045 ciente que o dia ainda não havia começado, ou seja zero térmicas.   No rumo W, fui seguindo a rodovia para Vila Bela, notei uma névoa que não rompia a inversão, a região completamente diferente, parece o Pantanal, áreas alagadas, corte de árvores, pecuária extensiva e nenhum sinal de agricultura.  A pequena vila já teve seus momentos de auge no passado, hoje está parada no tempo, a pista local serve apenas como referencia, ruim para pernoite pois não há segurança alguma.  Atrás da cidade um imponente maciço montanhoso, com elevação de 500m acima do solo é muito bonita mesmo.  Deve ser prato cheio para os alpinistas e trekkers.  Do outro lado avistei a Bolívia, a fronteira é demarcada pela floresta densa do lado do país vizinho, já que é um parque nacional, não devastado pelas madeireiras que operam livres no MT, apesar dos esforços do Ibama e FEMA.

Hora de voltar, com mais de 500km para voar, com vento de frente e rumo Echo, já estava esperto.  Passava das 1200 e nada das térmicas, apenas lufadas aqui e ali, resolvi jogar fora todo o lastro que havia guardado para este vôo.  O tempo foi passando e tive que ligar o motor varias vezes.   Sem duvida a mudança do tipo de solo e grande quantidade de água, mostraram o que acontece na área pantaneira, fraco de térmicas.

Durante todo o vôo rodei poucas térmicas, mesmo na área mais elevada e seca, voada sem problemas no dia anterior, estava fraca.  Para o norte em cima da Chapada dos Parecis nuvens mostrando maior atividade térmica. 

O drama do dia foi que eu estava no local errado e muito distante de Jaciara, os cálculos de média de velocidade indicavam que eu iria chegar 20 minutos apos o por do sol, alem disso o combustível escasseava.  Ainda assim tinha esperanças de pousar em Jaciara no lusco fusco.  Comecei a procurar o celular e a lanterna, atrás do banco, rasguei sacolas de plástico com minha bagagem, tinha sabonete, camiseta e o pijama do planador no meu colo, alem dos mapas e comida, se pegasse turbulência eu não iria ver o horizonte de tanta bagunça que fiz.  Já conhecido pelo controle Cuiabá, passei quase na vertical do aeroporto com TAM e VARIG chegando, sem maiores problemas, Restavam 6 litros de gasolina, resolvi subir o máximo possível, fui a 3.400 metros, estava a 100km de Jaciara, zerei o tanque.  Olhei o relógio e fique na duvida, Cuiabá informando por do sol as 17:30. 

Achei o celular e, para minha surpresa, funcionou muito bem.  Belini, o piloto agrícola vice-presidente do Aeroclube de Jaciara disse que as 17:40 já estaria muito escuro para pousar sem riscos, o por do sol oficial era as 17:27.  Tinha 500m de reserva para o planeio final com macready em 1, se acelerasse perdia minha segurança,   O visual de voar em cima da camada de inversão, negra devido às queimadas da

Chapada dos Guimarães, estava belíssimo, tudo calmo foi dez. 

Calculei os riscos, e fui para o lado tranqüilo, liguei novamente para o Edson em Jaciara, avisando que iria retornar a Cuiabá.  Edson irá checar PC, enquanto isso curte o vôo à vela, equipe fiel do Peter Volf, que não pousou fora nenhuma vez, também me ajudou bastante.  Na fonia escutava o intenso movimento de aviões e helicópteros no combate ao terrível incêndio que já consumiu mais de 1/3 da reserva da Chapada dos Guimarães e o calor diário acima de 35 graus aliada a baixa umidade apenas agravando a situação

Cheguei muito alto de volta a Cuiabá, a pista de Leverger é particular apesar de Ter o aeroclube local, vários hangares, pista de aeromodelo, enfim um local muito bem cuidado.  Muito preocupado com a segurança, destacaram 1 funcionário para ficar junto com o vigia para esperar a carreta chegar.  A inicial má vontade do administrador me fez pensar que teria sido melhor Ter pousado no aeroporto grande em Cuiabá mesmo.  Escrevi este trecho aguardando minha carreta chegar.

BALANÇO:

Esta primeira exploração (minha, pelo menos) nos ares do Mato Grosso, proporcionou vôos todos os dias com condição meteorológica constante, dia térmico iniciando entre 10:30 e 11:00, base entre 2000 a 2400, quase sempre céu azul, com poucos fiapos em cima das chapadas.  Térmicas constantes de 2,5 a 3,5 m/s com picos de 4,0 m/s, dia acabando ao redor das 16:30, por do sol as 17:25, mas até as 16:45 sustentação no planeio final.  Fiz 6 vôos acima de 500km sempre com mais de 5 horas de duração, maior vôo foi de 600km, e o vôo térmico mais longo foi de 6:30.

Rodovia São Paulo - Jaciara, leva 23 horas de volante para chegar.  Tem um trecho ruim, de Mineiros até Rondonópolis.  No MT não é aconselhável dirigir a noite por segurança.  A pista de cascalho em decida é razoável, tem aeroclube de planadores com Nhapecan e 1 KW-1 em vôo e bem cuidados.  Com rebocador AB180 disponível todos os dias, pessoal legal, dá para lastrear o planador, comprar gasolina.  Acomodação no melhor hotel (Toquinho) custa $25/dia, limpo e correto, sem luxo.  Para ficar no alojamento do aeroclube, que é uma casa alugada ao estilo de república de estudantes, o custo é de R$2/dia. Quem tiver interesse o telefone do aeroclube é: 65-461-2055 .

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